PLANO MUSEOLÓGICO DO MUSEU DA INFÂNCIA UNESC: REINVENÇÕES E PROTOCOLOS SANITÁRIOS PARA VISITAR ESCOLAS COM AS MEDIAÇÃOES CULTURAIS EM TEMPOS DE PANDEMIA DA COVID-19

Autores

  • Amalhene Baesso Reddig Universidade do Extremo Sul Catarinense/ SC/Brasil
  • Aline Delavechia Rodrigues Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC
  • Maxwell Sandeer Flôr Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC

Palavras-chave:

Mediação, Pandemia, Museu, Escola, Patrimônio.

Resumo

O plano museológico é uma ferramenta de gestão, imprescindível para as atividades dos museus. O Plano museológico é compreendido como ferramenta básica de planejamento estratégico, de sentido global e integrador, indispensável para a identificação da vocação da instituição museológica para a definição, o ordenamento e a priorização dos objetivos e das ações de cada uma de suas áreas de funcionamento, bem como fundamenta a criação ou a fusão de museus, constituindo instrumento fundamental para a sistematização do trabalho interno e para a atuação dos museus na sociedade (BRASIL, 2009, Art. 45.). O Museu da Infância foi criado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação - PPGE da Universidade do Extremo Sul Catarinense - UNESC em 2005. O projeto intitulado “Museu da Criança: espaço de educação, linguagem e memória” surgiu como uma proposta de extensão ligado a linha de pesquisa “Educação, Linguagem e Memória” do Programa de Pós-Graduação em Educação e aos Cursos de Artes Visuais, Letras e Pedagogia. Sua missão é preservar, pesquisar e comunicar as diferentes concepções de infância por meio da produção cultural para crianças, das crianças e sobre a infância, dialogando com públicos de todas as idades, instigando e promovendo interações, pesquisas, experiências e reflexões a partir dos bens culturais salvaguardados pela instituição. Com objetivo de fortalecer as ações de preservação, pesquisa e comunicação dos bens culturais sobre, para e da infância, contribuindo para a compreensão da história as diferentes infâncias e das produções culturais de cada geração. O Plano Museológico do Museu da Infância - MI, é o resultado do projeto contemplado pelo Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura/Patrimônio Cultural - Edição 2019, edital nº 059/2019 do Estado de Santa Catarina, elaborado durante o ano de 2020-21. Em reuniões e visitas técnicas, in loco e virtuais, conduzidas pela museóloga Valdirene Böger Dorigon, o Plano Museológico foi construído, de forma participativa com a equipe do Museu da Infância e por outros profissionais que auxiliaram na sua constituição. O plano museológico do Museu da Infância, foi elaborado com base na Lei nº 11.904, de 14 de janeiro de 2009 e em outras leis e decretos necessários para sua formatação. A Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) aprovou o projeto - Plano Museológico Museu da Infância e informamos, que a contrapartida social seria a realização de 20 (vinte) mediações em escolas públicas da região. O Plano Museológico do Museu da Infância (MI) foi sendo desenvolvido, inicialmente no formato presencial e, após o início da pandemia do COVID-19, com o lançamento do. Decreto Estadual N. 515 de 17 de março de 2015 e Decreto Municipal N. 390/2020 passamos a realizar os trabalhos no formato online. O projeto estava previsto para ser finalizado em 2020, mas não foi possível e pedimos adaptação de prazo. De acordo com Lei que instituiu o Estatuto de Museus, Lei nº 11.904/ 2009, os programas do plano museológico devem ser constituídos por: Institucional, de Gestão de Pessoas, de Acervo, de Exposições, Educativo e Cultural, de Pesquisa, Arquitetônico-urbanístico, de Segurança, de Financiamento e Fomento e de Comunicação. O Programa de Acessibilidade a todas as pessoas foi incluído pela Lei nº 13.146/2015. Destacamos aqui o Programa Educativo e Cultural. Essas ações educativas são essenciais nas instituições museológicas. Previsto no Estatuto de Museus, Art. 29, “Os Museus deverão promover ações educativas, fundamentadas no respeito à diversidade cultural e na participação comunitária, contribuindo para ampliar o acesso da sociedade às manifestações culturais e ao patrimônio material e imaterial da Nação” (BRASIL, 2009, Art 29). Uma das ações do Museu da Infância é a realização de mediações culturais nos seus dois espaços expositivos que atualmente conta com exposição: O espaço expositivo 1 (um) dá visibilidade a dois núcleos: O Brinquedo e a Rua e Infâncias e Culturas Escolares. O espaço expositivo 2 (dois) dá visibilidade a outros dois núcleos:  Infância e paz e Infância na Arte. Com a suspensão das atividades presenciais em função dos problemas decorrentes da Pandemia da COVID-19 as atividades internas e as visitas foram canceladas. Dessa forma, a equipe sentiu a necessidade de reinventar suas práticas com novas formas de chegar ao público. Gravamos vídeos com jogos, brincadeiras, mediações, palestras e lives, a partir das peças do acervo e disponibilizamos nas mídias sociais (Facebook, Instagram e Youtube). Somente em 2021, quando os protocolos sanitários estavam um pouco mais flexíveis, com a concordância da Sala de Situação COVID da Unesc, conseguimos iniciar as visitas às escolas, previstas do projeto como contrapartida. Cumprindo todos os protocolos obrigatórios (máscara, face shield, distanciamento e álcool gel), seguimos para o trabalho in loco nas escolas públicas previamente agendadas. O interesse das escolas por esse trabalho foi intenso e por essa razão atendemos 23 (vinte e três) escolas. Em 21 (vinte e um) escolas a mediação foi presencial e apenas 02 (duas) escolas optaram por mediação no formato on-line. Notamos que muitas escolas da região não possuíam equipamento adequado para o acesso de qualidade a Internet, não suportando as plataformas digitais para a realização do encontro, e isso acabou dificultando as mediações. Os estudantes e professores estavam há tanto tempo envolvidas com ensino por meios tecnológicos, e percebemos que estavam cansados e necessitando esse contato mais direto. Optamos por realizar visitas presenciais e isso despertou maior interesse e envolvimento, principalmente com a temática brinquedos e brincadeiras. A sensação que nos ocorreu foi de que, as crianças e adolescentes estavam curiosas, atentas com o que tínhamos para mostrar e houve um despertar para o brincar. Levamos objetos que fazem parte dos recursos pedagógicos do MI: cavalinhos de pau, bolinhas de gude, jogos das cinco marias, bilboquês, petecas e outros. Nada substitui a visita ao museu, mas mesmo em tempos de pandemia o museu foi à escola e as mediações suscitaram trocas culturais, aprendizados e sorrisos. Pensar o MI como um espaço não formal de educação em constante diálogo com os espaços formais de educação tem nos ajudado a pensar exposições e mediações unindo esses dois grandes campos. Por isso organizamos a exposição de média duração intitulada “Hora de Estudar, Hora de Brincar”. Peças musealizadas, patrimônio cultural do acervo do núcleo Infâncias e Culturas Escolares e do Núcleo O Brinquedo e a Rua nos aproxima nessa relação.

Referências

BRASIL. Lei nº 11.904, de 14 de janeiro de 2009.Institui o Estatuto de Museus e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11904.htm. Acesso em: 18 ago. 2020.

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Publicado

25/11/2021

Como Citar

Reddig, A. B., Delavechia Rodrigues, A., & Sandeer Flôr, M. (2021). PLANO MUSEOLÓGICO DO MUSEU DA INFÂNCIA UNESC: REINVENÇÕES E PROTOCOLOS SANITÁRIOS PARA VISITAR ESCOLAS COM AS MEDIAÇÃOES CULTURAIS EM TEMPOS DE PANDEMIA DA COVID-19. Seminário Nacional De Arte E Educação, 27(27), 995. Recuperado de https://seer.fundarte.rs.gov.br/index.php/Anaissem/article/view/995

Edição

Seção

27º Seminário Nacional de Arte e Educação - RELATO DE EXPERIÊNCIA