ÁRVORES DE PEDRA: ARTE ENTRE ENTULHOS, MEMÓRIA E REENCANTAMENTO

ARTE ENTRE ENTULHOS, MEMÓRIA E REENCANTAMENTO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.19179/rdf.v1i1.1775

Palavras-chave:

Arte; Cotidiano; Memória; Reencantamento

Resumo

Este artigo apresenta uma reflexão sobre o processo criativo que possibilitou à exposição Árvores de Pedra, marcada pelo reaproveitamento de materiais e pela valorização do cotidiano como fonte de invenção estética. A proposta se ancora na noção de cotidiano elaborada por Michel de Certeau (1994), que compreende os gestos ordinários, como caminhar, recolher e observar, como práticas táticas de resistência e criação. Ao recolher pedras, fios e restos de materiais nos becos do bairro Universitário, em Rio Branco (AC), baseando-se em culturas e memórias subjetivas de regiões mineradoras de Minas Gerais, transforma o que é rejeito em matéria sensível e poética. Essa transformação mobiliza também a ideia de memória involuntária proposta por Marcel Proust (2006), na qual os sentidos, especialmente o tato e a visão, ativam lembranças e afetos não lineares, muitas vezes esquecidos ou adormecidos. Cada peça criada é, assim, uma costura entre tempos e espaços, fragmentos e subjetividades. A proposta foi apresentada ao público em duas exposições realizadas no Parque Tucumã em Rio Branco -Acre, em 22 de Maio de 2025, e na Associação de Professores da Universidade Federal do Acre (UFAC), em 10 de junho de 2025, com obras acessíveis entre R$ 10,00 e R$ 30,00. Dessa forma, reafirma-se o compromisso com uma arte inclusiva e sensível. Mais do que objetos estéticos, as árvores de pedra constituem formas de reencantamento do mundo a partir do que foi descartado

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Biografia do Autor

  • Ezir Leite de Moura Júnior, Universidade Federal do Acre - UFAC, Rio Branco/AC, Brasil

    Doutorando e Mestre em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras: Linguagem e Identidade (PPGLI) da Universidade Federal do Acre (UFAC). Graduado em Licenciatura em História pela Faculdade Estácio de Sá (2021). Atualmente, é bolsista de doutorado pelo CNPq e, durante o mestrado, foi bolsista CAPES. Durante a graduação, foi bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC), com financiamento da UFAC e CAPES, nos períodos de 2019-2020 e 2020-2021, desenvolvendo pesquisas sobre alimentação no Acre Territorial entre 1904 e 1920. É livreiro e empreendedor cultural, com atuação na promoção de eventos literários culturais em Rio Branco -Acre.

Referências

REFERÊNCIAS

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FIGURAS (acervo pessoal do autor, 2025)

Figura 1 – Rua Primavera – Universitário 02 – Rio Branco, Acre

Figura 2 – Modelos de pedras recolhidas

Figura 3 – Bases finalizadas nas árvores

Figura 4 – Tronco e galhos de cerca elétrica reciclada finalizados nas árvores

Figura 5 – Materiais e ferramentas para produção

Figura 6 – 1ª exposição no Parque Tucumã – Rio Branco (22 de maio de 2025) / 2ª exposição – Associação de Professores da Universidade Federal do Acre (UFAC – 10 de junho de 2025)

ENTREVISTAS

LACERDA, Emilly Rebeca de Sales. Entrevista concedida ao autor (30/junho/2025). Rio Branco – AC, Julho de 2025.

LOBAO, Moisés Silveira. Entrevista concedida ao autor (01/julho/2025). Rio Branco – AC, julho. 2025.

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Publicado

11.03.2026

Como Citar

Moura, E. L. de M. J. (2026). ÁRVORES DE PEDRA: ARTE ENTRE ENTULHOS, MEMÓRIA E REENCANTAMENTO : ARTE ENTRE ENTULHOS, MEMÓRIA E REENCANTAMENTO . Revista Da FUNDARTE, 1(1), e1775. https://doi.org/10.19179/rdf.v1i1.1775